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TRÂNSITO | Obras de pavimentação na avenida Olívia Flores continuam nesta quarta (23)

Dando continuidade às obras de requalificação, a avenida Olívia Flores permanecerá em obras nesta quarta-feira (23). Por esse motivo, a partir de meia-noite desta terça (22), trechos da Olívia serão fechados.

As linhas do transporte coletivo no sentido Uesb X Centro passarão por mudanças. O itinerário será alterado para o seguinte percurso: Avenida Brasil, Avenida Braulino Santos, Avenida Rosa Cruz, seguindo em direção ao centro.

Os motoristas de carro também deverão ficar atentos e buscar vias alternativas. A equipe do Simtrans estará organizando o trânsito durante o dia.

ESTADO DE ATENÇÃO | Inema informa continuidade de chuvas nas próximas 24 horas

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Imagem: Arquivo/ 11.12.2018

O Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Inema) informou, nesta terça-feira (22), que as chuvas devem continuar nas próximas 24 horas em municípios do Sul e Sudoeste da Bahia, estendendo-se também pelo Norte e Chapada Diamantina.

Por isso, os municípios situados nessas áreas estão em Estado de Atenção.

Em amarelo, áreas que estão em Estado de Atenção. Fonte: Inema

Nessas localidades, a precipitação deve variar entre forte e moderada intensidade, ocorrendo de forma isolada, ou acompanhada por trovoadas. Por isso, de acordo com o Inema, é possível ocorrer alagamentos e pequenos transtornos em áreas urbanas.

A Defesa Civil de Vitória da Conquista lembra que está disponível para qualquer tipo de ocorrência, 24 horas por dia. São 10 servidores atuando em regime de plantão, prontos para assistir aos moradores que tiverem danos por conta das chuvas.

Além disso, a equipe orienta a população a verificar se seus imóveis apresentam alguma rachadura ou telhados frágeis para, se necessário, executar ações preventivas. É preciso também muita atenção com o depósito de lixo em locais adequados, pois o descarte irregular entope os canais de drenagem e bocas de lobo, impedindo a vazão das águas e causando alagamentos.

Telefone da Defesa Civil – 199

NOTÍCIAS DO MANDATO | #BelezaNegra – Valorizar a estética negra empodera!

Foi com muita alegria que o mandato do vereador Valdemir Dias concluiu, com a entrega de certificados, o projeto de capacitação Beleza Negra, no povoado quilombola Baixão.

Além de promover a autoestima e valorização da beleza negra, o curso proporcionou uma nova profissão para estas mulheres. Elas já estão ganhando o seu sustento colocando em prática o que aprenderam durante as oficinas de penteados, tranças, turbantes e maquiagem.

O mandato pretende levar o projeto para as demais comunidades quilombolas de Vitória da Conquista. | Ascom/Mandato vereador Valdemir Dias.

CONQUISTA | Voos são cancelados no Aeroporto Glauber Rocha

Dezenas de passageiros tiveram uma surpresa desagradável no Aeroporto Glauber Rocha. O voo AD5045, Salvador a Vitória da Conquista, que deveria chegar ao meio dia desta terça-feira (22) foi cancelado, da mesma forma aconteceu com o AD5044, de Vitória da Conquista a Salvador.

Imagens: Ernane Barbosa/divulgação

“Eu estou com conexões, mas o voo iria para Salvador.Estamos aqui na fila para resolução individualmente”, comentou Ernane Barbosa que estaria indo para Salvador tendo como destino final o Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina, para participar do Oktoberfest de Blumenau. As informações do Blog do Anderson foram confirmadas pelo Sudoeste Digital. A Azul Linhas Aéreas Brasileiras ainda não se manifestou sobre o assunto.

Atualizado em 23.10.19, às 7h41

Em nota, a Companhia se manifestou sobre o imprevisto causado por uma forte corrente de vento: “Em razão das condições meteorológicas adversas em Vitória da Conquista, o voo AD5044 (Salvador-Vitória da Conquista) retornou para o aeroporto de origem. Como consequência, o voo AD5045 (Vitória da Conquista-Salvador) foi cancelado. A companhia ressalta que está prestando toda a assistência necessária os Clientes impactados, de acordo com a Resolução 400 da Anac, e que está providenciando a reacomodação deles por via terrestre e em outros voos da própria empresa. A Azul lamenta os aborrecimentos causados aos seus Clientes e reforça que medidas como essa são necessárias para conferir a segurança de suas operações”.

PONTO DE VISTA | Distopia, barbárie e resistência nas instalações de Edmilson Santana

Por Jeremias Macário* – A instalação de quatro exposições de nível nacional e internacional do escultor conquistense, Edmilson Santana, no Museu Pedagógico Padre Palmeira, expressou e resumiu tudo do que foi discutido no XIII Colóquio Nacional e VI Colóquio Internacional, realizado nas dependências da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, na semana passada, com o tema principal “Distopia, Barbárie e Contraofensivas no Mundo Contemporâneo”.

Seu trabalho, que deve ficar pouco tempo no local (uma pena), que faz uma forte crítica sobre a educação no Brasil “Ducação” como está lá exposto e também nos dizeres “Fexado pra Balansso”, e cadeiras escolares quebradas, amarradas por cordas no teto, mostram como o ensino está sendo “pisoteado e machucado” por anos de governantes relapsos, corruptos, inconsequentes e incompetentes. Ao visitar, deixe, livremente, seu recado no grande mural da liberdade.

UM “SOCO” EM NOSSA SOCIEDADE 

A mostra causa um impacto logo na entrada e tem uma sinergia muito forte. É um “soco” bem dado em nossa sociedade que só visa o consumismo, como bem desabafou o artista. Pela sua ousadia e criatividade, merece ser visitada, principalmente, por jovens estudantes, professores, artistas, intelectuais e por todo cidadão, pela sua mensagem política e social de distopia, barbárie e contraofensivas.

Edmilson tocou no âmago sensível da educação, que homenageia ainda os educadores Anísio Teixeira e Paulo Freire, mas também apresentou as distorções e anormalidades da nossa contemporaneidade, como a mídia das Fake News, especialmente nas redes sociais, entupidas de raivas e intolerâncias. Mostra o passado das máquinas de datilografia. 

O visitante ainda tem o privilégio de ouvir e refletir a narração de uma mensagem poética e crítica, gravada no texto do artista-compositor Arnaldo Antunes.

O escultor, com sua peculiar sensibilidade artística, escancarou as feridas abertas da ditadura através das fotos imortais do fotógrafo Evandro Teixeira, que se fez presente aos colóquios e ao Museu, quando falou da sua trajetória de coberturas jornalísticas no Brasil (Jornal do Brasil), no Chile, na morte do poeta Pablo Neruda, e em várias partes do mundo, retratando povos excluídos, sem uma pátria própria, como os curdos, zapatas e palestinos.

CONTRAOFENSIVAS 

As imagens de Edmilson, que nasceu em Itapetinga, mas veio para Vitória da Conquista ainda criança nos braços da sua mãe, dizem tudo e valem a pena serem visitadas, porque estamos ficando inerte e precisamos nos indignar e reagir contra as barbáries e os retrocessos, como as ditaduras e as tiranias que roubam de nós a liberdade de expressão e a democracia. Muitos povos, inclusive da América Latina, já estão fazendo suas contraofensivas, não aceitando a ultraconservadora fascista que quer impor a barbárie social, como está figurada nas instalações de Edmilson Santana.

Ainda dentro do tema dos colóquios, a montagem do escultor Santana apresenta em sua arte uma exposição de contraofensivas da humanidade contra a estupidez. Destaca a realização da 3ª Internacional Comunista que está completando 100 anos, onde os trabalhadores do mundo foram convocados para se unir em oposição ao capitalismo explorador e ganancioso dos patrões.

Seu trabalho mostra também a reação dos estudantes e dos brasileiros contra o regime ditatorial na célebre “Marcha dos 100 MIL”, em 1968, fotografada por Evandro Teixeira, com quem tive uma rápida conversa em visita à minha casa. Suas fotos hoje têm o reconhecimento nacional e internacional, e Edmilson soube bem captar a mensagem através das botas militares de extensos cadarços, complementando as imagens do que foi aquele regime opressor de mais de 20 anos em nosso país.

OS COLÓQUIOS 

Sua mostra retratou justamente a forma de resistência na história dos povos, que também passam pela utopia (o sonho de suas realizações), a distopia (as anormalidades dos órgãos), e a resistência encorajadora para alcançar os objetivos pretendidos, na base da luta, como bem explicou o professor Cláudio Felix, organizador dos colóquios, realizados na Uesb e no Museu Padre Palmeira, que debateram Educação em Tempos de Barbárie e Distopias –um olhar para o suicídio, drogas e gêneros.

Esse capítulo e os  colóquios tiveram mesas redondas, conferências e temáticas sobre religião, repressão e resistência na formação social e política no Brasil; educação pública brasileira; as evidências da ditadura militar; o debate atual sobre a desconstrução e construção das identidades do gênero e feminismo; história, trabalho, educação e cultura camponesa – modos de luta pela terra; democracia, violência e anti-intelectualíssimo; infância e educação infantil; preto de cabelo feio: vivenciando o racismo; diálogos conexos – linguagem, arte e cultura como resistência à barbárie contemporânea, dentre outras discussões, captadas e interpretadas nas instalações impactantes do escultor Edmilson Santana. | Jeremias Macário, jornalista e escritor.

ENEM 2019 | UniFTC oferece oficina gratuita de redação em Vitória da Conquista

Alcançar a nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é o sonho dourado dos estudantes que se submetem à avaliação em busca de uma oportunidade para ingressar no ensino superior.

Em 2019, só 55 textos mereceram os mil pontos – representando 0,001% das 4,1 milhões de provas corrigidas. Pensando na dificuldade enfrentada pelos estudantes, a Rede FTC promove um ciclo de oficinas gratuitas de Redação entre os dias 24 e 31 de outubro.
As oficinas do projeto Redação Máxima serão ministradas por professores que são referência em aprovação e que vão falar sobre coerência, coesão, gramática e estrutura, além de discutir os principais temas que podem ser cobrados no ENEM. Depois da aula teórica, os inscritos terão a oportunidade de partir para a prática: cada um deles vai escrever uma redação que será avaliada a partir dos mesmos critérios usados pelo INEP na correção do ENEM.  Os melhores textos ainda podem receber bolsas de estudo na Rede FTC.
Os alunos de Vitória da Conquista poderão participar da Máxima Revisão no dia 30 de outubro. O ciclo de palestras acontece em outras 6 unidades da Rede FTC nos dias 24 (Jequié, Juazeiro e Petrolina) e 30 (Salvador e Itabuna) e 31 (Feira de Santana). As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas do endereço redacaomaxima.ftc.br.
A Redação Máxima da UniFTC será ministrada para cerca de 500 estudantes e a atividade de prática textual, após a correção, servirá como avaliação para ingresso em qualquer um dos cursos superiores oferecidos pela UniFTC de Vitória da Conquista.
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| Serviço | Oficina Redação Máxima na UniFTC de Vitória da Conquista
Local: Campus da UniFTC – Rua Ubaldino Figueira 200, Recreio.
Data: 30 de outubro, às 14h
Inscrições: Gratuitas | redacaomaxima.ftc.br

VANZEIROS | Feira de Santana investe R$ 1 milhão no combate ao transporte clandestino

O transporte clandestino é apontado pelas empresas de ônibus urbano como um dos fatores que mais contribuem para a evasão de passageiros, ao lado da crise econômica e dos aplicativos de transporte individual.

A prefeitura de Feira de Santana, interior da Bahia, cidade com mais de 600 mil habitantes, pretende investir R$ 1 milhão para combater esse tipo de atividade, praticada por motoristas conhecidos popularmente como “ligeirinhos”.
Na manhã dessa segunda-feira, 21 de outubro de 2019, uma licitação na forma de pregão presencial foi realizada para a contratação de uma empresa de segurança desarmada. Promovida pela Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), o valor proposto no edital é de R$ 1.017.228,48, para um contrato com duração de 12 meses.
Segundo o edital, o serviço de segurança desarmada de forma contínua é necessário “em razão do trabalho feito para ordenamento, controle e fiscalização dos modais de transportes regulares do município e o combate ao transporte irregular de passageiros, efetuados pela SMTT através das equipes de fiscalização. Considerando ainda, que os transportes públicos, pelo seu caráter contínuo e essencial à população, não devem sofrer solução de continuidade, assim como o serviço que o fiscaliza”.
A fiscalização é executada pelos Fiscais de Serviços Públicos da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito, que contam com suporte da equipe de segurança desarmada, cuja função é resguardar a segurança da equipe de fiscalização e preservar o patrimônio empregado nas ações.
Segundo o edital, serão contratados 18 seguranças, dos quais dois não irão para ações de rua. Um será empregado na segurança do Gabinete e demais setores, e outro supervisionará as equipes de trabalho. Os restantes 16 seguranças serão divididos em duas equipes diárias, para trabalharem embarcados nas viaturas da SMTT, em turnos de 6 (seis) horas de segunda a sábado, inclusive feriados.
Conhecidos como “ligeirinhos”, os motoristas do transporte pirata são um problema recorrente na cidade.
No dia 9 de outubro deste ano os “ligeirinhos” fizeram uma manifestação de protesto contra a fiscalização da prefeitura, e fecharam o acesso ao Transbordo Central, principal terminal de ônibus da cidade. Eles reclamaram da truculência na fiscalização da SMTT.
A prefeitura respondeu em nota que está cumprindo a nova Lei Federal 13.855, que alterou dois artigos do CTB, “tornando mais rigorosas as penalidades aplicadas aos motoristas flagrados transportando passageiros mediante remuneração, sem terem a autorização para fazê-lo”.
A SMTT reiterou os termos da Lei, que classifica o transporte irregular como infração gravíssima. Relembre: Bolsonaro sanciona lei com penas maiores para transporte pirata de passageiros e estudantes. | Por: Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

REVOLTA | População cobra punição ao casal que agrediu idoso em Conquista

As redes sociais foram invadidas por postagens denunciando a agressão a um idoso de 69 anos praticada pelo empresário Lucas Maltez no último final de semana.

O ato que provocou repulsa geral foi flagrado por câmeras e monitoramento, o que possibilitou a identificação do agressor e da esposa dele, Hanah Marielly, envolvida num acidente de transito que culminou com o crime de lesão corporal.

VEJA O VÍDEO ( CENAS FORTES)








Nas redes sociais, além de prints com as imagens do casal, internautas relatam o ocorrido. “Um idoso foi brutalmente espancado depois de um acidente de trânsito. Tudo aconteceu depois que um HB20 de cor branca, dirigido pela arquiteta Hanah Marielly, teve uma colisão com um veículo Hilux dirigido por Rodinei, de 69 anos de idade”, conta uma das postagens.

Conforme relato da ocorrência feita pelo Simtrans, foi exatamente isso que ocorreu. De acordo com as postagens, “como a motorista do HB20 não é habilitada, ligou para o esposo, o engenheiro Lucas Andrade Maltez (proprietário da Comercial Andrade, na Av. Presidente Vargas) para resolver o problema”.

Testemunhas asseguram que o esposo já chegou em tom alterado, “e sem querer fazer a ocorrência como a lei determina, ele ordenou para que a esposa entrasse no carro e se evadisse do local, e munido de tamanha covardia o engenheiro agrediu severamente o idoso de forma cruel e desumana, o desferindo chutes,murros e empurrões”.

A reportagem do Sudoeste Digital tenta contato com o casal. Em contato com a imprensa, o advogado do casal não informou se a mulher possui habilitação para conduzir veículo automotor, mas antecipou que os clientes irão ser apresentados na Delegacia de Polícia Civil, que apura os fatos. A família do idoso não informou sobre seu estado de saúde. O conteúdo está em atualização.

ARTIGO ESPECIAL | Lá vem o Brasil descendo a ladeira – Vende-se uma Nação

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Por Márcio Higino* –  Caros leitores, não é de hoje que a nação brasileira, independente dos períodos históricos que experimentou, desde o descobrimento até os nossos dias – com raros e curtos períodos de  exceções – é espoliada nas suas riquezas naturais e também naquelas produzidas pelo povo brasileiro, que parecem inesgotáveis.

Do período pré-colonial até hoje, sempre foi assim, por governos sem amor pela Pátria.
Não é objeto deste comentário percorrer e analisar esses períodos históricos. Para tal, recomendamos a leitura de Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado, História Econômica do Brasil, de Caio Prado Júnior, etc.

Tomaremos como ponto de  partida período histórico mais contemporâneo, como por exemplo o ambiente da abertura econômica estabelecida a partir dos anos 1990, governo de Collor de Mello, sem desconsiderar o golpe militar de 1964, que instituiu uma política educacional orientada fortemente para auxiliar um capitalismo dependente dos Estados Unidos.

Esse modelo de subserviência aos americanos do norte, desde o golpe militar, passando por Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e agora Jair Bolsonaro, trabalham sem dó nem piedade para entregar as riquezas nacionais, enfraquecendo a nossa soberania, humilhando e empobrecendo a nação, com aplicação das denominadas políticas econômicas neoliberais e agora as ultraliberais, destruidoras e altamente prejudiciais a quaisquer economias.

O livro A Privataria Tucana, de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, utilizou-se de um neologismo criado pelo jornalista Elio Gaspari, para explicar a combinação de privatização com pirataria.

Nas suas 140 páginas discorre sobre o entreguismo neoliberal do governo FHC, com farta documentação que demonstram indícios e evidências de irregularidades nas privatizações ocorridas naquele período.

Esse filme, que já assistimos não faz tanto tempo assim, apresenta-se agora remasterizado pela tecnologia do ultraliberalismo do  Paulo Guedes.

Na história, na prática e na integridade, entrega-se o Brasil e suas riquezas a outros interesses que não são os pátrios, sustentados por governos entreguistas e subservientes.

Observamos que uma das principais bandeiras do atual governo é o desmonte das estatais: entregar tudo para o capital privado.É a privataria ampla, geral e irrestrita, como está registrado no blog Conversa Afiada.

O atual governo está com pressa e cobra, insistentemente, do secretário de Desestatização Salim Mattar, uma privatização por semana.

Segundo levantamento do portal G1, o governo federal já realizou 29 leilões de ativos públicos neste ano – entrega de aeroportos, terminais portuários, concessões de rodovias e ferrovias e a venda de ativos no setor de óleo e gás. Até o final do ano devem ser realizados mais 22 leilões. Para 2020 são previstos mais 45 leilões.

Dentre as estatais na mira do governo federal estão os Correios, Dataprev, Casa da Moeda, CBTU, Eletrobrś, Telebrás.

Com essas privatizações em curso e as que ainda virão, se já estamos vivendo um desemprego estrutural, decorrente de mudanças ultraliberais da estrutura econômica, projeta-se com essas políticas conservadores um aumento considerável de desempregados, subempregados e afins, flagelizando a população brasileira.

* Márcio Higino Melo, administrador.

Assessor parlamentar do Vereador Coriolano Moraes

URÂNIO | Mineração de urânio no sertão da Bahia traz à tona memória de contaminação

Uma reportagem publicada pela BBC News no último sábado relembrou acidentes ocorridos durante a mineração de urânio em Caetité. A publicação ainda apontou relação entre a atividade e a incidência de câncer de tireoide e de pulmão em moradores do município.

A reportagem lembra que deste 2014 as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) encerrou a mineração de urânio na região, no entanto, no mês passado, as autoridades que regulam a atividade de mineração de materiais radioativos autorizou a extração em uma nova mina no município.

A BBC News fez alarde na publicação aos riscos ambientais e à saúde da população que pode ser exposta à materiais radiativos. A reportagem teve acesso a um relatório produzido pela Secretaria de Saúde da Bahia que aponta a ocorrência de pelo menos cinco acidentes que expuseram o solo e os cursos d’água à radiação, entre 2000 e 2014, período do primeiro ciclo da mineração de Urânio em Caetité.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Foram ouvidas autoridades de saúde que confirmaram a alta incidência de tumores cancerígenos em paciente de Caetité e Lagoa Real. A causa provável da contaminação estaria relacionadas às explosões usadas para extrair o urânio do solo. As partículas radioativas se espalham pelo ambiente ao redor, contaminando a vegetação com um gás tóxico, o radônio. Esse gás pode agredir a pele dos trabalhadores e também se espalha por comunidades próximas.

A publicação também teve acesso a um relatório da Comissão de Pesquisa e Informação Independentes sobre a Radioatividade (CRIIRAD), que acompanha há anos o caso no sertão baiano, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições.

Este relatório, produzido em 2018, aponta que foram encontrados locais com incidência de radiação até 10 vezes mais alto do que o tolerável

Ainda segundo a reportagem, órgãos públicos e entidades da sociedade civil organizada reclamam da falta de transparência da INB sobre os riscos das atividades da empresa.

A INB nega a relação da atividade mineradora com a contaminação e com os casos de câncer. A empresa diz ainda que sempre teve uma política de “portas abertas” e que suas atividades em Caetité são repletas de “desinformação e os mitos” em torno da mineração de urânio. | Agência Sertão

Veja a reportagem da BBB News:

Um dos objetivos do governo de Jair Bolsonaro é retomar projetos da indústria nuclear. Em 26 de setembro, foi anunciada a construção de seis novas usinas no país até 2050, como parte do Plano Nacional de Energia, com investimentos previstos de R$ 30 bilhões.


Dias depois, em 7 de outubro, o governo liberou os trabalhos, ainda que preliminares, em uma mina de urânio no sertão da Bahia, sob responsabilidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Não há exploração nessa área há cinco anos.


A autorização trouxe de volta à memória de quem vive nos municípios de Caetité e Lagoa Real problemas graves ligados à mineração do material radioativo. Autoridades denunciam casos de câncer na população local provocados pelo contato com a radiação e danos ainda pouco conhecidos ao meio ambiente.


Só entre 2000 e 2009, houve pelo menos cinco acidentes que contaminaram parte dos rios e solo da região, de acordo com um relatório da Secretaria de Saúde da Bahia ao qual a BBC News Brasil teve acesso. Antes da atual retomada, a INB explorou a área até 2014.


A licença concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) no último dia 7 autoriza extração na mina do Engenho, que é parte da usina de beneficiamento nuclear da INB em Caetité.


A retomada da mineração de urânio no sertão da Bahia tem apoio do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque – que foi diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha no governo de Dilma Rousseff.


Em setembro, Albuquerque defendeu o investimento em energia nuclear brasileira na Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, e disse que prevê “um novo modelo de negócios para a mineração de urânio e a gestão de rejeitos de mineração, incluindo parcerias público-privadas”.


Os trabalhos da INB em Caetité são marcados por críticas, denúncias e processos em relação a sequelas tanto na população quanto no meio ambiente. Próximas às suas instalações ficam pequenas comunidades agrárias como Barreiro, Juazeiro e Maniaçu, além do Quilombo de Malhada.


Em Caetité, cidade de 51 mil habitantes no sertão baiano, autoridades estaduais atribuem uma maior ocorrência de câncer nos moradores locais às atividades da usina.


“Há uma incidência muito alta [de câncer] em Caetité, alguns [tipos] possivelmente ligados à mineração de urânio – como câncer de tireóide e de pulmão, mais prováveis graças à emissão de gases tóxicos na mina”, diz à BBC News Brasil Letícia Nobre, diretora de Vigilância da Saúde do Trabalhador do governo da Bahia (Divast).


Para atender a esses pacientes, em setembro de 2019 o governo da Bahia anunciou um acordo com a prefeitura de Caetité para criar um hospital especializado em oncologia no município.


Segundo a Secretaria de Saúde da Bahia, estudos de impacto ambiental da usina realizados há mais de 20 anos já apontavam problemas no empreendimento.


Por causa das explosões usadas para extrair o urânio do solo, partículas radioativas se espalham pelo ambiente ao redor, contaminando a vegetação com um gás tóxico, o radônio. Esse gás pode agredir a pele dos trabalhadores e também se espalha por comunidades próximas.


Os estudos de impacto ambiental previram que haveria contaminação de mananciais subterrâneos, assoreamento dos rios por causa do depósito de sobras da mineração e inviabilidade do uso da água em pontos como o Córrego do Engenho.


Durante a mineração de urânio nessa área, órgãos como o antigo Instituto de Gestão de Águas e do Clima da Bahia identificaram contaminações radioativas de cursos d’água próximos ao complexo da INB.


Tanto o governo estadual quanto organizações civis criticam a falta de transparência da INB em relação às suas atividades e à saúde de seus funcionários. A Diretoria de Vigilância da Saúde do Trabalhador da Bahia disse à BBC News Brasil que, desde 2000, seus técnicos foram impedidos de fiscalizar o complexo da INB por diversas vezes. No total, houve apenas cinco inspeções do órgão ali, realizadas espaçadamente desde 2008.


“Temos dificuldades de acesso a informações sistemáticas sobre os cuidados epidemiológicos e sanitários [implantados pela INB] dentro do complexo”, diz Letícia Nobre.


Procurada pela BBC News Brasil, a estatal afirma que sempre teve uma política de “portas abertas” e que suas atividades em Caetité são repletas de “desinformação e os mitos” em torno da mineração de urânio.


A INB afirma ainda que “desenvolve permanentemente programas de monitoramento ambiental e de proteção radiológica para assegurar a qualidade do meio ambiente e preservar a saúde de seus empregados e da população das proximidades”.


Acidentes ‘mal explicados’


Acidentes dentro das instalações da INB nem sempre foram devidamente divulgados à sociedade.


Segundo relatório de 2009 feito pela Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde da Bahia, à época já havia ocorrido pelo menos cinco acidentes “mal explicados ou ainda sigilosos”. Um exemplo foi o vazamento de 5 milhões de m3 de licor de urânio e lama radioativa no solo e no Riacho das Vacas por mais de dois meses, sem parar, em 2000.


“Só após um ano [ou seja, em 2011] a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) admitiu o acidente, estimando que 67 quilos de concentrado de urânio vazaram por 76 dias”, consta no documento do órgão estadual baiano.


Ainda segundo a secretaria estadual, técnicos da CNEN chegaram a recomendar o fechamento da mina de Cachoeira “por risco de desabamento e contaminação da água”. A extração, porém, seguiu até 2014.


Por causa das irregularidades, a empresa estatal enfrenta processos na Justiça federal e do Trabalho.


Hoje, o Ministério Público Federal mantém aberto um inquérito civil para “fiscalizar as atividades [da INB], em especial quanto à eventual contaminação de fontes de abastecimento humano ou reservatórios de água pelas atividades de extração, transporte ou beneficiamento de urânio”.


Contaminações e falta de segurança


Em janeiro de 2019, a INB foi condenada pela Justiça do Trabalho por manter funcionários terceirizados trabalhando por anos sem proteção em locais com alto risco de contaminação radioativa.


Segundo a decisão da Vara do Trabalho de Guanambi (BA), “em 2011 a área [da mina da Cachoeira] foi interditada, justamente porque a operação de embalagem ou reembalagem de tambores, contendo material radioativo, era realizada sem a proteção adequada do pessoal envolvido”.


Na mesma decisão, a Justiça determinou que a INB pague R$ 100 mil de indenização por danos morais. O processo foi movido pelo Ministério Público do Trabalho na Bahia, que também pediu a elaboração de estudos independentes sobre a incidência de radiação na área.


A BBC News Brasil teve acesso a parte desses relatórios. Os estudos são da Comissão de Pesquisa e Informação Independentes sobre a Radioatividade (CRIIRAD), que acompanha há anos o caso no sertão baiano, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições.


Os pesquisadores estiveram em Caetité entre 7 e 14 de novembro de 2018, percorrendo locais como Baixa da Onça, Bela Vista, Gameleira e Pega Bem – todos nos arredores do complexo da INB. Os técnicos mediram os níveis de radiação no solo, na água e no ar, além de ouvir moradores, promotores de justiça e autoridades sobre a mineração de urânio ali.


O relatório assinado pelo diretor da CRIIRAD, o engenheiro nuclear Bruno Chareyron, traz dados preocupantes sobre os impactos da extração do minério radioativo na região.


No documento, há medições que apontam uma concentração de urânio em cursos d’água que superam em quase 10 vezes o que é considerado aceitável para o corpo humano, segundo padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).


Dependendo do nível de exposição à radiação, o corpo humano pode apresentar sintomas como náuseas e vermelhidão no corpo, ou danos mais graves, como problemas no sistema cardiovascular, cerebral, hemorragias internas, mutações genéticas, queimaduras e aumento no risco de câncer.


Em seu relatório, a equipe francesa também demonstra preocupação com os restos do urânio extraído pela INB. A concentração radioativa nos rejeitos é muito alta: cerca de 80% da radiação inicialmente encontrada no urânio no subsolo se mantém nas sobras da mineração, descartadas e armazenadas perto das instalações em Caetité.


Em pontos como ao sul da mina do Engenho – recém-liberada pelo governo – a radiação chega a índices que superam em até 10 vezes o que é considerado seguro para a saúde. Por isso, o diretor da comissão francesa recomenda cuidados redobrados na proteção dos trabalhadores e terceirizados que circulem nessa área.


No poço Baixa da Onça, ao norte da hoje desativada mina de Cachoeira, há veios d’água que seguem para comunidades próximas. Esse cenário, segundo os pesquisadores, é ainda mais preocupante. Foram encontrados rastros de escavações recentes em busca de urânio, feitas sem cuidados com o meio ambiente.


“Um trabalho recente de prospecção consistiu na abertura de valas, poços exploratórios, perfurações profundas. No final do trabalho, os prospectores/garimpeiros deixaram um terreno completamente devastado”, diz o diretor da comissão francesa.


Como base de comparação, Chareyron afirma que, se uma pessoa ficar por apenas 2 minutos por dia durante um ano inteiro nessa área, a quantidade de radiação à qual foi exposta excederá os limites considerados aceitáveis à saúde humana.


“Isso ilustra a falta de treinamento das empresas de perfuração sobre os riscos associados à radiação ionizante”, dizem os peritos franceses, antes de afirmarem que “tal situação não é aceitável”.


Procurada pela BBC Brasil News, a INB diz que “não possui informações sobre como esse levantamento [do CRIIRAD] teria sido feito, nem qual base de comparação de níveis de urânio foi utilizada para fundamentar os supostos resultados, e por isso não tem como se manifestar a respeito”.


Gases tóxicos e discriminação


Quando a mineração de urânio começou em Caetité, todos os aspectos do cotidiano dos pequenos agricultores e moradores do entorno da usina mudaram radicalmente. No total, o Movimento Paulo Jackson – organização civil que acompanha o caso desde 2000, batizada em nome de um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores, nascido em Caetité – estima que 12 mil pessoas vivam em áreas diretamente afetadas pelas operações da INB em Caetité, Lagoa Real e também no município de Livramento.


Rachaduras nas casas tornaram-se comuns por causa da alta concentração de gases tóxicos como o radônio, segundo pesquisas de campo conduzidas pelo Greenpeace e pela Plataforma Brasileira de Direitos Humanos.


À BBC News Brasil, a INB diz que implantou, entre 1989 e 1999, um programa de monitoramento ambiental que mostrou “as características do solo, dos sedimentos, das águas, da poeira, e da radiação ambiente na região antes do início das atividades”. Segundo seus estudos, a atual concentração do gás tóxico radônio se mantém dentro do padrão observado antes de seus trabalhos em Caetité.


O complexo da INB fica em um platô, cercado por comunidades agrícolas e esparsos cursos d’água – localizado no semiárido baiano, o lugar tem baixa oferta hídrica. Por sua geografia, há grandes riscos de contaminação radioativa do pouco de água que ali existe. Na inspeção mais recente, a comissão francesa confirmou o risco.


Regiões como Baixa da Onça e Gameleira são fontes de radiação gama – com alto risco não apenas no uso humano da água, mas também de exposição radioativa aos moradores pelo contato com o solo, usado inclusive na construção de casas e barracos.


“Tivemos acesso a estudos que mostravam a contaminação nas águas que os moradores bebiam e também usavam na agricultura. Por isso, a Justiça determinou o abastecimento da região por meio de carros-pipa, como no caso da comunidade do Juazeiro, por exemplo”, diz Marijane Vieira Lisboa, relatora de Direito Ambiental da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, que desenvolve ações em defesa dos Direitos Humanos.


Professora na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela fez parte de uma equipe independente que foi a Caetité em 2011 para relatar os problemas em torno do complexo da INB.


“Encontramos irregularidades, do começo ao fim”, diz a pesquisadora, que integrou o Ministério do Meio Ambiente entre 2003 e 2004, e também é uma das cofundadoras do Greenpeace Brasil.


Em defesa das atividades na região, INB afirmou à BBC News Brasil que o complexo em Caetité tem sua licença de operação renovada continuamente desde 2009, e que a empresa “comprova ao órgão licenciador o cumprimento das condicionantes impostas para a manutenção da autorização”.


Os altos níveis de radiação também resultam em problemas socioeconômicos aos vizinhos da INB no sertão baiano. Segundo Lisboa, os agricultores não conseguem escoar seus produtos, como mandioca, geleia e queijo, ou vender crias vivas, como aves e gado – tudo graças à má fama da região.


Outras organizações que acompanham o caso têm a mesma percepção.


“Os comunitários tinham suas técnicas de proteção das nascentes e construção de cisternas. Mas, hoje, com sua produção muito reduzida e estigmatizada, em sua maioria sobrevivem da ‘aposentadoria rural’, com tristeza e medo de serem as próximas vítimas de um câncer qualquer”, diz Zoraide Vilas Boas, membro do Movimento Paulo Jackson e da Articulação Antinuclear Brasileira, e que acompanha a mineração de urânio em Caetité há quase duas décadas.


Êxodo em busca da cura


Como a mineração de urânio implica riscos à saúde, era de se esperar que os municípios da região tivessem uma infraestrutura capaz de prevenir e tratar casos de câncer e outros problemas relacionados à radiação. Não é o que acontece em Caetité e Lagoa Real.


É comum que moradores percorram centenas de quilômetros em busca do tratamento de câncer. Muitos são forçados a viajar os mais de 600 km até Salvador. O anúncio da construção do centro especializado em oncologia, feito em setembro de 2019, só veio depois de muita insistência da população.


As obras ainda não têm previsão de início ou inauguração – segundo o governo do Estado, serão gastos mais de R$ 13 milhões na construção e aquisição de equipamentos para o hospital.


“As informações e registros de casos de câncer na região são bastante limitadas, e sabemos que é um problema subnotificado”, diz Letícia Nobre, a diretora de Vigilância da Saúde do Trabalhador da Bahia.


Para a secretaria de Saúde da Bahia, o êxodo em busca de tratamento pode levar a uma noção equivocada dos índices de morte por câncer em Caetité. Pesquisadores também lembram que muitas pessoas morrem longe dali, durante o tratamento, causando distorção nos dados e na relação da doença com os trabalhos da INB.


“É comum que as causas de morte sejam classificadas como ‘não identificadas’, o que inviabiliza uma estatística mais próxima da realidade que conhecemos em Caetité”, diz Zoraide Vilas Boas.


Ressabiada com o atual avanço da mina do Engenho, ela duvida que o problema seja resolvido daqui em diante.


“A população rural da região que não teve condição de sair dali sabe que terá de tolerar o lixo atômico [da mina de Cachoeira] e preparar-se para conviver com os mesmos prejuízos de sempre”, diz Vilas Boas.


À BBC News Brasil, a INB nega que suas operações tenham relação com os casos de câncer na região.


A estatal afirma que “a atividade de mineração [em Caetité] não aumenta a radiação emitida pelo urânio porque ela trabalha com esse mineral em estado natural” e que “pesquisas realizadas em diversas partes do mundo demonstraram que o urânio natural não contribui para o aumento do número de casos de câncer ou de qualquer outra doença decorrente da radiação do urânio”.


Ao longo dos anos, o governo federal já usou argumentos inusitados para defender-se da relação entre a mineração de urânio e a incidência de câncer no sertão baiano.


Em uma audiência pública realizada na Câmara dos Deputados em 2005, Nelson Valverde – médico indicado pela comissão nuclear brasileira – disse que há substâncias mais perigosas que as oriundas da energia nuclear. O médico citou o álcool e até mesmo dietas alimentares mal elaboradas como exemplos mais perigosos.


“O mesmo profissional [Nelson Valverde] ainda levantou a tese de que existe a possibilidade de que uma baixa dose de radiação possa ‘defender’ a célula contra uma outra dose maior. Isto é, que radiação em baixas doses podem servir como antídoto a doses maiores!”, relata um grupo de trabalho sobre o tema, formado por deputados federais em 2007.


As licenças provisórias – um ‘jeitinho’


Os problemas da mineração de urânio são conhecidos pelo poder público brasileiro há mais de uma década. A Câmara dos Deputados instaurou o Grupo de Trabalho Fiscalização e Segurança Nuclear para tratar do tema, cujas atividades foram concluídas em 2017.


No relatório final, constam episódios que permanecem pouco conhecidos ainda hoje. Entre eles, o vazamento radioativo ocorrido há quase 20 anos, com a infiltração de algo como 5 milhões de litros de material radioativo no solo baiano.


“Este acidente ocorreu em abril de 2000, mas somente foi descoberto seis meses depois devido a uma queixa trabalhista que chamou a atenção do promotor público de Caetité, Jailson Trindade. Foi ele quem deu o alerta à Comissão Nacional de Energia Nuclear sobre o acontecido, pois a INB não havia informado a ocorrência do acidente”, informam os deputados no relatório final do grupo.


Em sua defesa à época, representantes da estatal garantiram que o episódio não causou danos relevantes. Segundo a INB, a contaminação não atingiu lençóis freáticos da região graças à contenção por uma espécie de manta, instalada para reter o material.


Na época, porém, não houve consenso sobre como divulgar esse vazamento.


“Aquilo foi uma burrice terrível. Era muito mais fácil admitir, abrir o jogo, explicar tudo, inclusive que não havia perigo”, disse João Manoel Barbosa, ex-assessor de comunicação da INB, em 2004, em entrevista ao jornal A Tarde.


No mesmo relatório, há uma seção dedicada a problemas de legislação em relação à segurança nuclear. O grupo de trabalho criticou o desrespeito da comissão nuclear às normas estabelecidas por ela própria em complexos como Angra 2 e em Caetité.


O maior problema seria a manutenção dos trabalhos apenas por meio de um tipo de licença preliminar, a Autorização para Operação Inicial. Para os deputados, as instalações não conseguiram atingir níveis mínimos de proteção e segurança nuclear à época – por isso, não tinham licenças de operação definitivas.


“Não deixa de ser lamentável que, para se manter uma instalação nuclear que não cumpre as condicionantes de segurança impostas pela legislação, sempre se dê um jeitinho de renovar a autorização”, apontaram os deputados do grupo de trabalho em seu relatório final.


Este post foi modificado pela última vez em 21 de outubro de 2019 – 04:05 04:05 | Caio de Freitas Paes – Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil